terça-feira, 3 de novembro de 2009

Gatos e Rosas

Ora, ora, ora. Eu não tinha me esquecido desse lugar. Só estava concentrada em outras coisas. Se passaram 17 dias. Era pra eu estar dormindo. Mas não. Estou pensando em outras coisas.


Coisas incômodas.


E como não se incomodar com a ausência de uma “coisa” que, de repente, não mais que de repente, se tornou essencial para você?


E depois do incômodo inicial, vem as dúvidas. Como ficou aquela “coisa” sem você? Será que ela ainda é a mesma ou, dada a sua ausência, resolveu mudar de maneira irreversível? Ou, pior: mudou só um pouquinho, de maneira sutil, fazendo que você não perceba e pense que está tudo bem…?


Eu não gosto de mudanças. Nunca gostei. Em um post anterior no meu fotolog eu menciono que existem pessoas como cães e pessoas como gatos. Eu, logicamente, sou uma pessoa “felina”. Orgulhosa, egocêntrica e que detesta que mexam no que é meu (ou seja, quase tudo) sem que peçam antes (com delicadeza). Sendo que eu posso, muito provavelmente, não deixar você mexer, mesmo que peça. Hmpf.



Mas, também faz parte da personalidade felina uma certa insegurança e timidez, que faz com que nossos movimentos saiam delicados, sutis, sem querer chamar tanto a atenção pra si, sem quererem ser descobertos, temendo um erro fatal (que pode nem ser tão fatal assim, mas para o gato é). Algo que varia em intensidade de gato para gato.

Tem uns mais extrovertidos, outros mais introvertidos. Mas eu tenho meus momentos de ambos.


Aí reside uma contradição interessante: ao mesmo tempo que eu sou egocêntrica, sou insegura. Mas, se o “centro sou eu”, como pode o ambiente externo me deixar com medo do que possa sair errado?

Ah, as minhas contradições. Eu quero fazer tudo certo, mas os meus sentimentos ás vezes me pregam uma peça. Ás vezes eu quero entender errado, porque dessa maneira, o que eu penso e o que eu sinto entram em equilíbrio. Daí posso tomar uma posição definida. O único problema é que essa é a posição errada.


Posições erradas não são agradáveis.


.

Não bobeia, Raquel, não bobeia. És sensível ovelha, andas como gato, raciocina como raposa e direciona o raciocínio como água-viva. Daí não tem como funcionar. Tem algo errado.

E se as rosas do meu Ramalhete murcharem? Outro dia abriu uma rosa na minha roseira. Pela primeira vez. Acho que agora tem mais uns dois botões, mas eles estão meio contorcidos de sentimentos negativos, simplesmente porque o jardineiro não vem.


Mas o jardineiro tem todo o direito de fazer isso. Ele tem que sair do jardim, dormir, comer com a sua família, pagar as contas, estudar pra não viver só do jardim. E eu, que moro no jardim, que SOU o jardim, também devo resguardar a minha liberdade de poder sobreviver se o jardineiro não vier. Ok, vão nascer ervas daninhas… mas eu posso ir lá tirar depois, sozinha, se for o caso.


As flores não são belas o tempo todo. O outono aparece todo ano, mas na primavera as flores voltam. Eu tenho que entender.


No final das contas, quem não pode viver só do jardim sou eu.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Introdução

introdução

subst f introdução (introduções [ĩtrudu'sõjʃ] pl) [ĩtrudu'sɐ̃w]

1 texto que apresenta livro, discurso

Ex: a introdução à tese

2 acção de fazer entrar algo ou alguém

Ex: a introdução de novos métodos na indústria

 

Hm. Tirando os possíveis significados maldosos da definição acima, eu poderia dizer então que esse tópico é nada mais que uma apresentação.

Oi. Meu nome é Raquel. Eu até pensei em não dizer o meu nome nesse blog para ter liberdade de escrever o que eu quiser sem afetar a minha vida pessoal, mas, ora bolas, eu sou eu e não vou poder deixar de ser eu em instante algum da minha vida. Não tenho nada a esconder. Sou uma pessoa sincera, que tenta ao máximo passar o que sinto verdadeiramente em tudo o que faço. Então não faria sentido fazer um blog com um nome fictício. Eu estaria criando uma persona imaginária, me dividiria em duas, me refletiria no espelho sem, de fato, me ver.

Podemos então constatar, no mínimo, que eu sou eu. E que nessa maré de egocentrismo materializada em pequenas letras, posso, então, falar de mim, do que eu gosto de fazer, do que pretendo fazer, do que gostaria de fazer aqui, neste blog.

Porém…

Eu já tive outro blog, mas acabei falando de coisas pessoais demais, as quais não gostei muito de terem ficado a público do jeito que ficaram. Algumas pessoas falavam comigo já sabendo demais da minha vida, mesmo sem eu contar diretamente. Isso me incomodou.

Chegamos a mais uma conclusão: isto não é um diário.

E o que é isto? É uma forma de extravazar o que eu sinto, porém me resguardo o direito de manter meus “segredos”. Que, afinal, não tenho de fato, mas assim me refiro a fatos diários de minha vida que não são tão interessantes de serem expostos aqui.

Porque não é interessante pra mim, e nem interessa pra quem quer que esteja lendo. Sem grosserias.

Mas, deixando de lado o que este blog “não-é”, posso afirmar que, como canal de materialização verbal de idéias, este lugarzinho será mais movimentado em determinados períodos que outros. Não garanto frequência de postagens. Igualmente, não garanto sanidade em todas as postagens.

Na realidade, garanto uma boa dose de insanidade na maioria delas.

E como dizem algumas pessoas: “tu viaja”. No sentido mais alucinógeno o possível, sim, sem substâncias químicas ilícitas. Tem gente que já nasce com a “viagem” dentro de si. Tem gente que “viaja”, mas é reprimido e não libera todo o seu potencial criativo.

Eu não quero me reprimir. Eu quero ser eu.

Porque, apesar de ser reta, eu sou assertiva, conclusiva e um pouco distorcida. Talvez eu enxergue na sua colocação uma comparação lógica surreal, mas que faça alguma diferença. Eu posso estar certa, posso estar errada, mas criando e imaginando é que chegamos a novos horizontes, é que vislumbramos novas possibilidades.

É quando podemos usufruir da maior dádiva cedida ao ser humano: a criatividade.

Da psicodelia travada de tua imaginação

Eu posso achar mais que um refrão

E escrivinhar uma bela ou feia canção

Sem bordão, sem razão

Emoção

REmoção

LigaÇÃO

Cri

a

ção.

 

E de onde vem a CRIAÇÃO,

se não

dos olhos de uma

CRIA-NÇA   ?

E que fique claro o nosso acordo: aqui, ponho o que eu quiser. Comente o que quiser, leia o que quiser, mas, acima de tudo, crie o que quiser. Não só aqui, mas no mundo.