Ora, ora, ora. Eu não tinha me esquecido desse lugar. Só estava concentrada em outras coisas. Se passaram 17 dias. Era pra eu estar dormindo. Mas não. Estou pensando em outras coisas.
Coisas incômodas.
E como não se incomodar com a ausência de uma “coisa” que, de repente, não mais que de repente, se tornou essencial para você?
E depois do incômodo inicial, vem as dúvidas. Como ficou aquela “coisa” sem você? Será que ela ainda é a mesma ou, dada a sua ausência, resolveu mudar de maneira irreversível? Ou, pior: mudou só um pouquinho, de maneira sutil, fazendo que você não perceba e pense que está tudo bem…?

Eu não gosto de mudanças. Nunca gostei. Em um post anterior no meu fotolog eu menciono que existem pessoas como cães e pessoas como gatos. Eu, logicamente, sou uma pessoa “felina”. Orgulhosa, egocêntrica e que detesta que mexam no que é meu (ou seja, quase tudo) sem que peçam antes (com delicadeza). Sendo que eu posso, muito provavelmente, não deixar você mexer, mesmo que peça. Hmpf.

Mas, também faz parte da personalidade felina uma certa insegurança e timidez, que faz com que nossos movimentos saiam delicados, sutis, sem querer chamar tanto a atenção pra si, sem quererem ser descobertos, temendo um erro fatal (que pode nem ser tão fatal assim, mas para o gato é). Algo que varia em intensidade de gato para gato.
Tem uns mais extrovertidos, outros mais introvertidos. Mas eu tenho meus momentos de ambos.
Aí reside uma contradição interessante: ao mesmo tempo que eu sou egocêntrica, sou insegura. Mas, se o “centro sou eu”, como pode o ambiente externo me deixar com medo do que possa sair errado?
…
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Não bobeia, Raquel, não bobeia. És sensível ovelha, andas como gato, raciocina como raposa e direciona o raciocínio como água-viva. Daí não tem como funcionar. Tem algo errado.
E se as rosas do meu Ramalhete murcharem? Outro dia abriu uma rosa na minha roseira. Pela primeira vez. Acho que agora tem mais uns dois botões, mas eles estão meio contorcidos de sentimentos negativos, simplesmente porque o jardineiro não vem.

Mas o jardineiro tem todo o direito de fazer isso. Ele tem que sair do jardim, dormir, comer com a sua família, pagar as contas, estudar pra não viver só do jardim. E eu, que moro no jardim, que SOU o jardim, também devo resguardar a minha liberdade de poder sobreviver se o jardineiro não vier. Ok, vão nascer ervas daninhas… mas eu posso ir lá tirar depois, sozinha, se for o caso.
As flores não são belas o tempo todo. O outono aparece todo ano, mas na primavera as flores voltam. Eu tenho que entender.
No final das contas, quem não pode viver só do jardim sou eu.

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